A UNISOL Brasil avançou, em julho, na mobilização de empreendimentos econômicos solidários para um novo ciclo de capacitações na Região Metropolitana de São Paulo. As atividades chegaram a organizações de São Bernardo do Campo e Rio Grande da Serra, abrindo caminho para a formação de turmas e para o fortalecimento da gestão, da organização coletiva e da sustentabilidade dos empreendimentos.
A mobilização integra a Meta 2 do projeto desenvolvido pela UNISOL Brasil em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, voltada à disseminação dos conceitos e das práticas da economia popular e solidária por meio de atividades formativas.
Ao longo do mês, foram realizados contatos com a Cooperativa de Catadores Raio de Luz, a Kafu Bolsas Têxtil, a Cosbrin, a Coopcent e o Coletivo de Mulheres Afro de Rio Grande da Serra. Além de apresentar o projeto e informar sobre a gratuidade das capacitações, o trabalho buscou conhecer as necessidades de cada grupo e identificar os temas considerados prioritários para as futuras formações.
Entre os assuntos apontados pelos empreendimentos estão gestão financeira e administrativa, conformidade legal, contabilidade, gestão ambiental, comunicação e mídias, além dos princípios da economia popular e solidária.
Para a mobilizadora Djenane Martins, a atividade também representa uma oportunidade de retomar a proximidade com as organizações e fortalecer os vínculos construídos pela UNISOL Brasil ao longo dos anos.
“Fazer essa mobilização com os empreendimentos tem sido muito agradável, porque estamos retornando às bases e retomando o contato com cooperativas e outros grupos da economia solidária. Essa possibilidade de nos reconectarmos com os empreendimentos tem sido muito satisfatória”, afirma.
Escuta para construir formações conectadas à realidade
Mais do que divulgar uma programação pronta, a etapa de mobilização procura ouvir as organizações e compreender seus desafios cotidianos. Essa aproximação permite organizar as turmas considerando a disponibilidade, a rotina produtiva e as demandas concretas das trabalhadoras e dos trabalhadores.
Na Cooperativa de Catadores Raio de Luz, o primeiro contato foi realizado com Viviane da Conceição. O grupo demonstrou interesse nas capacitações, mas informou que terá disponibilidade para iniciar as atividades no mês seguinte.
A Kafu Bolsas Têxtil, representada por Josino Gomes, também recebeu informações sobre o projeto e manifestou interesse especialmente nas formações sobre gestão financeira e economia solidária. O próximo passo será definir as datas para a realização das atividades.
Na Cosbrin, o diálogo com Sueli Alves buscou preparar um encontro de mobilização com o conjunto do empreendimento. A equipe seguirá em contato para compatibilizar a agenda do grupo com o calendário das capacitações.
A Coopcent, representada por Helena, informou que ainda não consegue participar das formações neste momento, mas solicitou que o diálogo seja retomado ao final do próximo mês. Já o Coletivo de Mulheres Afro de Rio Grande da Serra, por meio de Cristina Martins Pinto, iniciou uma conversa interna para definir os melhores dias e horários para participar.
Para Jorge, coordenador de projetos, essa etapa é fundamental para que as formações respondam às necessidades dos empreendimentos.
“A mobilização é também um processo de escuta. Cada empreendimento tem sua dinâmica de trabalho, suas dificuldades e seus próprios conhecimentos. Nosso papel é construir as formações junto com esses grupos, oferecendo ferramentas que contribuam para melhorar a gestão, fortalecer a organização coletiva e ampliar as possibilidades de geração de trabalho e renda”, destaca.

Formação para novos e antigos cooperados
As capacitações representam uma oportunidade tanto para quem está chegando ao cooperativismo quanto para os trabalhadores e as trabalhadoras que já possuem uma trajetória nos empreendimentos econômicos solidários.
De acordo com Djenane, a atualização permanente dos conhecimentos contribui para aprimorar as práticas cotidianas, fortalecer a organização coletiva e preparar os grupos para enfrentar novos desafios.
“É muito bom perceber que ainda podemos contribuir levando formação e conhecimento aos novos cooperados e aos novos empreendimentos, mas também àqueles que já possuem uma caminhada. Para quem está há mais tempo nesse trabalho, as atividades são uma oportunidade de atualizar os conhecimentos, rever práticas e continuar aprendendo, porque aprender nunca é demais”, ressalta a mobilizadora.
Além de apresentar conteúdos técnicos, as formações permitem recuperar princípios da economia popular e solidária, promover a troca de experiências e valorizar os conhecimentos construídos pelos próprios trabalhadores no cotidiano dos empreendimentos.
Mobilização exige diálogo permanente
O trabalho envolveu ainda o levantamento e o cadastramento de empreendimentos, contatos por telefone e aplicativos de mensagens, divulgação do projeto nos canais digitais das organizações e apoio ao preenchimento das fichas de inscrição.
Uma das dificuldades identificadas foi a conciliação das formações com a rotina produtiva dos grupos. No caso das cooperativas de catadores, por exemplo, as atividades de coleta, separação e triagem de materiais ocupam grande parte do dia. A distância entre os empreendimentos também exige planejamento dos deslocamentos e limita a quantidade de visitas que podem ser realizadas em uma mesma jornada.
Por isso, a mobilização não termina no primeiro contato. O trabalho pressupõe diálogo contínuo, retomada das conversas e construção conjunta de datas e horários que favoreçam a participação dos trabalhadores e das trabalhadoras.
Para Djenane, voltar aos territórios também permite compreender as mudanças ocorridas nos empreendimentos, renovar os vínculos e identificar novas formas de contribuição.
“Esse retorno às bases nos ajuda a conhecer quem está chegando, reencontrar quem já faz parte dessa trajetória e entender o momento atual de cada organização. É a partir dessa proximidade que conseguimos pensar em formações realmente úteis para os grupos”, destaca.
Mesmo diante dos desafios, a avaliação do período foi positiva. A receptividade das lideranças e o interesse demonstrado pelos empreendimentos indicam boas condições para a continuidade das ações e para a composição das próximas turmas.
Nas próximas etapas, a equipe seguirá em contato com as organizações mobilizadas para confirmar as inscrições, definir o calendário e organizar os grupos que participarão das capacitações. A expectativa é que as atividades contribuam para fortalecer conhecimentos, aprimorar a gestão e ampliar a autonomia dos empreendimentos econômicos solidários no ABC Paulista.

