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UNISOL Brasil fortalece articulação internacional da Economia Solidária no FSM 2026

A UNISOL Brasil fortaleceu a articulação internacional da Economia Solidária durante sua participação no Fórum Social Mundial (FSM) 2026, realizado em Cotonou, no Benin, entre os dias 4 e 8. A entidade integrou espaços de diálogo com movimentos sociais, organizações populares e representantes de diferentes países, ampliando as possibilidades de cooperação entre o Brasil, a América Latina e o continente africano.

Representaram a entidade no encontro o tesoureiro da UNISOL Brasil, Anderson Cardoso, e a presidenta da UNISOL Bahia e secretária-geral da União Nacional das Organizações Cooperativistas Solidárias (Unicopas), Anne Sena. Ao longo da programação, eles participaram de mesas, atividades autogestionadas e encontros dedicados a temas como Economia Solidária, políticas migratórias, soberania e segurança alimentar, transição energética, trabalho associado, desenvolvimento sustentável e organização dos trabalhadores e das trabalhadoras.

Para Anderson Cardoso, a presença da UNISOL Brasil reafirmou o papel da entidade como central de cooperativas e empreendimentos solidários e permitiu aproximar o movimento brasileiro de organizações internacionais.

“Participar do Fórum Social Mundial foi uma experiência muito importante para reafirmarmos o lugar da UNISOL Brasil como central de cooperativas e empreendimentos solidários. Debatemos políticas migratórias, soberania e segurança alimentar e transição energética com representantes de vários países. Levaremos essas discussões para o Brasil, fortalecendo nossa capacidade de convergência com outras nações e organizações do mundo”, afirmou.

Entre os temas que ganharam destaque esteve a soberania alimentar, compreendida como o direito dos povos de definir seus próprios sistemas de produção, distribuição e consumo de alimentos. As discussões ressaltaram a contribuição da agricultura familiar, da agroecologia, das cooperativas e dos circuitos curtos de comercialização para o combate à fome e para a redução da dependência dos grandes mercados globais.

A delegação também apresentou experiências brasileiras de organização de empreendimentos econômicos solidários e destacou o cooperativismo, a autogestão e a organização coletiva como instrumentos de transformação social, geração de trabalho e renda e desenvolvimento dos territórios.

Segundo Anne Sena, o encontro demonstrou a capacidade da Economia Solidária de unir diferentes povos em torno de desafios comuns e da construção de alternativas econômicas centradas nas pessoas.

“Participar do Fórum Social Mundial no Benin foi muito mais do que integrar um espaço de debates e construção coletiva. Foi retornar à África, reconhecer nossas raízes e sentir a força da nossa ancestralidade. Diante da Porta do Não Retorno, compreendi ainda mais a responsabilidade de honrar aqueles que foram arrancados de sua terra e não puderam voltar. Retornamos ao Brasil levando essa memória e o compromisso de continuar construindo, por meio da Economia Solidária, dias melhores para nós e para as próximas gerações”, afirmou Anne Sena. 

Experiências

Um dos principais resultados da participação foi o fortalecimento do diálogo com organizações da América Latina e de países africanos, como Níger, Argélia, Senegal e Benin. As aproximações abrem caminhos para futuros intercâmbios de metodologias, tecnologias sociais, formas de organização produtiva e estratégias de comercialização e desenvolvimento comunitário.

No caso do Benin, a presença brasileira também possibilitou identificar pontos de convergência entre a Economia Solidária, o cooperativismo, a agricultura familiar, a organização comunitária e outras formas coletivas de produção e trabalho. A perspectiva é transformar os contatos iniciados durante o Fórum em uma agenda permanente de diálogo e cooperação.

“O Fórum Social Mundial reafirmou que a Economia Solidária também é uma ferramenta de resistência, união entre os povos e construção de um mundo mais justo. A experiência no Benin fortaleceu nosso compromisso com a cooperação entre África, Brasil e América Latina, sem perder de vista a memória e a ancestralidade que nos conectam. Voltamos com novas possibilidades de articulação, mas também com a responsabilidade de transformar esse aprendizado em ações concretas nos nossos territórios”, destacou Anne Sena. 

As atividades também reforçaram a defesa de que uma próxima edição do Fórum Social Mundial seja realizada na América Latina, reconhecendo a contribuição histórica da região para o pensamento crítico, as lutas sociais e a construção de experiências de Economia Solidária e soberania dos povos.

“Com sua participação no Fórum Social Mundial de 2026, a UNISOL Brasil reafirma que desafios como a precarização do trabalho, a desigualdade social, as mudanças climáticas, a insegurança alimentar e a concentração econômica ultrapassam as fronteiras nacionais e exigem respostas coletivas. Além de ser mais um passo no processo de internacionalização da Economia Solidária brasileira e na construção de uma rede permanente de cooperação entre Brasil, América Latina e África, tendo a solidariedade, a democracia econômica, a sustentabilidade e a emancipação dos trabalhadores e das trabalhadoras como princípios”, finalizou Anderson.

Sobre o Fórum Social Mundial (FSM)

Criado em 2001, o Fórum Social Mundial é um espaço internacional de encontro e articulação entre movimentos sociais, organizações da sociedade civil e iniciativas populares que defendem alternativas ao modelo econômico baseado na concentração de renda e na exclusão social. Em 2026, a realização do evento em Cotonou reforçou o protagonismo do continente africano e reuniu experiências de diferentes partes do mundo em torno da democracia, da justiça social, da soberania dos povos e da construção de formas sustentáveis e solidárias de desenvolvimento.

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