O Agosto Lilás mobiliza organizações sociais, instituições públicas e diferentes setores da sociedade em torno da conscientização e do enfrentamento à violência contra as mulheres. Em 2026, a campanha ganha um significado especial ao marcar os 20 anos da Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006.
Realizada em todo o país por órgãos governamentais e organizações da sociedade civil, a campanha busca ampliar o conhecimento sobre os direitos das mulheres, as diferentes formas de violência doméstica e familiar, as medidas de proteção e os serviços disponíveis para acolhimento, orientação e denúncia.
Segundo a secretária-geral da UNISOL Brasil, Magda Almeida, a campanha também representa um chamado para que organizações e comunidades estejam preparadas para reconhecer os sinais da violência e acolher as mulheres sem julgamentos.
“Enfrentar a violência contra as mulheres precisa ser um compromisso permanente de toda a sociedade. Não podemos permitir que o medo, a dependência econômica ou a falta de informação obriguem uma mulher a permanecer em uma situação de violência. Precisamos fortalecer as redes de acolhimento, garantir o acesso aos direitos e criar condições para que as mulheres tenham autonomia para reconstruir suas vidas. A Economia Popular e Solidária também cumpre um papel importante ao promover trabalho, renda, organização e apoio coletivo”, afirma Magda.
A violência nem sempre deixa marcas visíveis
Embora as agressões físicas sejam a face mais conhecida da violência doméstica, muitas situações não deixam marcas aparentes. Ameaças, humilhações, controle da rotina, isolamento, retenção de dinheiro, destruição de instrumentos de trabalho e relações sexuais sem consentimento também são formas de violência.
A Lei Maria da Penha reconhece atualmente seis formas de violência doméstica e familiar, que podem ocorrer de maneira isolada ou simultânea:
- Violência física: qualquer conduta que ofenda a integridade ou a saúde corporal da mulher, como tapas, socos, empurrões, queimaduras, estrangulamento e agressões com objetos ou armas.
- Violência psicológica: ameaças, humilhações, chantagens, isolamento, perseguição, vigilância constante, manipulação e controle da rotina, da liberdade e das decisões da mulher.
- Violência sexual: ocorre quando a mulher é obrigada a manter relações ou participar de práticas sexuais sem consentimento, impedida de utilizar métodos contraceptivos ou tem seus direitos sexuais e reprodutivos desrespeitados.
- Violência patrimonial: retenção, destruição ou subtração de documentos, dinheiro, cartões bancários, bens, objetos pessoais, instrumentos de trabalho e outros recursos pertencentes à mulher.
- Violência moral: envolve calúnia, difamação, injúria e outras condutas que atinjam a honra ou a reputação da mulher.
- Violência vicária: é praticada contra filhos, familiares, dependentes ou pessoas da rede de apoio da mulher com a intenção de causar sofrimento, intimidá-la, puni-la ou controlá-la.
A presidenta da UNISOL Bahia, Anne Sena, ressalta que o enfrentamento à violência também passa pelo rompimento do silêncio e pelo fortalecimento da solidariedade entre as mulheres.
“Para mim, o Agosto Lilás representa a força da nossa voz e a importância de não nos calarmos diante da violência contra as mulheres. Precisamos conscientizar, acolher e fortalecer umas às outras. Nenhuma mulher deve ter sua vida marcada pelo medo. Combater a violência é defender a dignidade, a autonomia e o direito de toda mulher viver com liberdade e respeito”, destaca Anne.
Autonomia econômica e redes de apoio
A dependência financeira e o controle dos recursos da família podem ser utilizados pelos agressores para limitar as escolhas das mulheres e dificultar o rompimento do ciclo de violência. Por isso, a geração de trabalho e renda, o acesso às políticas públicas e a construção de redes comunitárias de apoio também fazem parte desse enfrentamento.
Segundo Anne, nos empreendimentos da Economia Popular e Solidária, as mulheres encontram espaços de trabalho, cooperação, formação e organização coletiva. Essas experiências contribuem para ampliar a autonomia econômica, fortalecer os vínculos comunitários e criar redes de apoio.
“A autonomia financeira, entretanto, deve estar acompanhada de políticas públicas que garantam proteção, moradia, saúde, assistência social, acesso à Justiça e condições concretas para que cada mulher possa reconstruir sua vida com segurança”.
E Magda completa: “a UNISOL Brasil reafirma que nenhuma mulher deve ser responsabilizada pela violência sofrida. O acolhimento precisa respeitar o tempo, as decisões e as condições de segurança de cada pessoa, evitando julgamentos e qualquer forma de revitimização”.
Onde buscar ajuda
A Central de Atendimento à Mulher — Ligue 180 — funciona gratuitamente, 24 horas por dia, inclusive aos finais de semana e feriados. O serviço oferece acolhimento e orientação, recebe denúncias e informa sobre os serviços especializados existentes em cada região.
O atendimento pode ser procurado pela própria mulher ou por qualquer pessoa que tenha conhecimento de uma situação de violência. Também está disponível pelo WhatsApp, no número (61) 9610-0180, e conta com atendimento em Libras.
Em situações de emergência ou quando a violência estiver acontecendo naquele momento, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190.
As mulheres também podem procurar as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, Defensorias Públicas, unidades de saúde, Centros de Referência de Atendimento à Mulher e serviços da assistência social dos municípios.

