Atividade destacou o papel da sociedade, da economia solidária e das políticas públicas no combate à violência de gênero
A Unisol Brasil realizou a terceira live do seu ciclo de formação política, com o tema “Enfrentamento à violência contra a mulher: uma luta de toda a sociedade”, reunindo lideranças e especialistas para debater os desafios e caminhos no combate à violência de gênero no país, nesta terça-feira, dia 31.
A atividade contou com a participação de Márcia França, advogada e especialista em políticas públicas de Economia Solidária, e de Cláudia Pereira, presidenta da Unisol Sergipe, com mediação de Magda de Almeida, Secretária-Geral da Unisol Brasil.
Logo na abertura, Magda destacou a gravidade do cenário brasileiro, ressaltando dados que evidenciam o caráter estrutural da violência. “O país registra, em média, mais de quatro feminicídios por dia. A maioria das vítimas são mulheres negras, o que revela que a violência também está ligada às desigualdades sociais, raciais e econômicas”, afirmou.
Durante o debate, Márcia França explicou que a violência contra a mulher vai muito além da agressão física e está presente em diferentes dimensões do cotidiano.
“Violência contra a mulher é qualquer ação ou omissão baseada no gênero que cause morte, sofrimento ou dano físico, psicológico, sexual, moral ou patrimonial. É uma grave violação de direitos humanos e um problema estrutural”.
A advogada detalhou os cinco tipos de violência previstos na Lei Maria da Penha — física, psicológica, sexual, moral e patrimonial — e chamou atenção para formas ainda pouco reconhecidas, como a violência vicária, quando o agressor atinge filhos ou pessoas próximas para punir a mulher.
Márcia também destacou que muitas mulheres ainda não identificam as violências que sofrem, especialmente as psicológicas e patrimoniais, reforçando a importância da informação e da formação como instrumentos de enfrentamento.
O papel da sociedade no enfrentamento
Um dos pontos centrais da live foi a necessidade de envolver toda a sociedade no combate à violência contra a mulher. Para Márcia França, é fundamental romper com a ideia de que a violência doméstica é um problema privado.
“A violência contra a mulher não é uma questão individual. É uma responsabilidade coletiva. Quem presencia ou suspeita deve agir, denunciar e buscar ajuda.”
Cláudia Pereira reforçou que esse enfrentamento também passa pela reeducação dos homens e pela transformação cultural desde a infância.
“Não se trata apenas de punir, mas de educar. Precisamos formar uma cultura de respeito desde cedo, envolvendo homens, famílias e toda a sociedade.”
Violência histórica e subnotificação
Cláudia Pereira reforçou que a violência contra a mulher não é um fenômeno recente, mas histórico e estrutural, muitas vezes invisibilizado ao longo dos anos.
“Essa violência sempre existiu. O que mudou é que hoje conseguimos identificar e tipificar os crimes. Antes, muitas mortes não eram reconhecidas como feminicídio.”
Ela também destacou o papel da Lei Maria da Penha na organização das políticas públicas e na construção de instrumentos para o enfrentamento da violência de gênero, além de alertar para a subnotificação ainda presente em diversas regiões.
Economia solidária e autonomia das mulheres
As participantes destacaram ainda o papel estratégico da economia solidária no enfrentamento à violência, especialmente na garantia de autonomia financeira das mulheres.
Segundo Cláudia, muitos casos de permanência em relações abusivas estão ligados à dependência econômica.
“A economia solidária é uma ferramenta fundamental para garantir autonomia às mulheres e romper ciclos de violência.”
A discussão também evidenciou que a violência atinge mulheres de todas as classes sociais, idades e níveis de escolaridade, muitas vezes de forma silenciosa e invisível.
Informação, acolhimento e denúncia
Outro ponto destacado foi a importância das redes de apoio e dos serviços públicos no acolhimento das mulheres em situação de violência, como CRAS, CREAS, delegacias especializadas e casas-abrigo. As participantes reforçaram que o primeiro passo é romper o silêncio.
“Falar é o primeiro passo. Sempre vai ter alguém para ouvir. A sociedade precisa acolher e não se omitir”, destacou Márcia França.
Durante a live, também foram reforçados os canais de denúncia, como os números 180 e 190, além da necessidade de ampliar o acesso à informação para que mais mulheres reconheçam situações de violência e busquem ajuda.
Uma luta coletiva
Encerrando o encontro, as participantes reforçaram que o enfrentamento à violência contra a mulher exige mobilização permanente e ação coletiva.
“Ninguém solta a mão de ninguém. Precisamos construir uma rede forte de proteção e enfrentamento”, afirmou Cláudia Pereira.
A live integra o ciclo de formação política da Unisol Brasil, iniciativa que tem como objetivo fortalecer o protagonismo dos trabalhadores e trabalhadoras e promover debates estratégicos para a construção de uma sociedade mais justa, igualitária e livre de violências.

