Curso reuniu mulheres de diferentes regiões do país para discutir educação popular, geração de renda, redes de apoio e estratégias de enfrentamento à violência de gênero
A Unisol Brasil realizou mais um encontro do Curso de Educadoras Populares no Enfrentamento à Violência contra a Mulher, reunindo mulheres de diferentes estados do país em um espaço de formação política, troca de experiências e fortalecimento da economia popular e solidária, no dia 14 . O encontro, que aconteceu online e, destacou a educação popular como instrumento de emancipação social, autonomia financeira e transformação coletiva.
A atividade contou com a participação de mulheres ligadas a cooperativas, associações, redes de economia solidária, ocupações urbanas, coletivos feministas, comunidades quilombolas e empreendimentos populares de diferentes territórios do Brasil.
A educadora popular Terezinha Pimenta, da organização Capina, conduziu a reflexão central da formação, abordando o papel da educação popular no enfrentamento às desigualdades e à violência contra as mulheres. Inspirada no pensamento de Paulo Freire, Terezinha explicou que a educação popular rompe com o modelo tradicional de ensino ao compreender a educação como prática de transformação social.
“A educação popular não é uma educação para pobres. Ela é uma educação emancipadora”, afirmou durante sua exposição. A palestrante também destacou a importância da construção coletiva do conhecimento, da escuta e da valorização das experiências vividas pelas mulheres nos territórios.
“O saber não está apenas no educador. Todas nós temos experiências, histórias e conhecimentos que precisam ser compartilhados coletivamente”, ressaltou. Segundo Terezinha, a educação popular trabalha a partir da realidade concreta das pessoas e busca fortalecer a consciência crítica e a autonomia coletiva.
“A teoria nunca pode estar desconectada da prática. A educação popular parte da vida real, dos desafios cotidianos e da organização coletiva para transformar essa realidade”, explicou a educadora.
Unisol Brasil amplia atuação nacional da economia solidária
Durante o encontro, a secretária-geral da Unisol Brasil, Magda de Almeida, apresentou a trajetória da entidade e o crescimento da rede nacional de empreendimentos solidários. Atualmente, a Unisol reúne mais de 1.500 empreendimentos em sua base e vem ampliando sua presença nos estados brasileiros.
Magda destacou que a organização atua em diferentes setores, como agricultura familiar, reciclagem, metalurgia, construção civil, artesanato, cooperativismo social e confecção, fortalecendo iniciativas baseadas na autogestão e na cooperação.
“A Unisol tem esse papel da incidência política, da formação, do fortalecimento da autogestão e da construção de redes produtivas entre os empreendimentos da economia solidária”, afirmou.
Ela também ressaltou os desafios enfrentados pelos empreendimentos populares, como acesso a crédito, comercialização, políticas públicas e assessoria técnica adequada.
“A gente quer uma assessoria técnica que capacite, que empodere, que dê autonomia para o empreendimento caminhar e ser multiplicador”, destacou Magda.
Violência, autonomia financeira e sobrecarga das mulheres
A partir das contribuições das participantes, o encontro identificou desafios centrais enfrentados pelas mulheres nos territórios populares e empreendimentos solidários. Entre os principais temas debatidos estiveram a violência doméstica, a dependência financeira, a invisibilidade do trabalho de cuidado e a sobrecarga física e emocional das mulheres.
As participantes também apontaram dificuldades relacionadas ao acesso a crédito, comercialização, políticas públicas e fortalecimento das redes de apoio, especialmente em regiões periféricas, rurais e comunidades isoladas.
Outro destaque foi a defesa da economia solidária como alternativa ao individualismo e à precarização do trabalho, fortalecendo iniciativas coletivas capazes de gerar renda, acolhimento e autonomia para as mulheres.
Redes de apoio e fortalecimento coletivo
O encontro reafirmou a importância da auto-organização das mulheres, da formação política e da construção de redes de solidariedade como estratégias fundamentais no enfrentamento à violência e às desigualdades sociais.
Ao final da atividade, a Unisol Brasil destacou que a formação terá continuidade nos próximos meses, ampliando os espaços de diálogo, troca de experiências e fortalecimento das mulheres nos territórios populares.

