O curso de Educadoras Populares no Enfrentamento à Violência contra a Mulher realizou, em 10 de setembro, o encontro de encerramento de uma etapa, com o tema Fundamentos da Autogestão. A atividade on-line promoveu uma reflexão sobre a relação entre gestão coletiva, autonomia das mulheres e transformação das relações de poder.
Promovida pela UNISOL Brasil, em parceria com a UNISOL Bahia, a formação abordou 13 temas. Na abertura, Magda Almeida, secretária-geral da UNISOL Brasil e responsável pelo curso, ressaltou que o encontro encerrava uma etapa, mas também apontava para a continuidade do trabalho coletivo. “Estamos finalizando uma etapa e pensando no fortalecimento dessa rede que está se constituindo”, afirmou.
A convidada foi Anne Sena, presidenta da UNISOL Bahia, que relacionou a autogestão ao enfrentamento à violência e à participação das mulheres nos espaços de decisão.

Autogestão também é disputa por participação
Durante o encontro, Anne explicou que a autogestão envolve mais do que a organização das tarefas: pressupõe que todas as pessoas possam participar, decidir, acompanhar e avaliar os processos coletivos. Democracia, autonomia, transparência, corresponsabilidade, solidariedade e equidade foram alguns dos princípios destacados.
“A autogestão tem a ver com a voz, com o lugar de fala, de tomada de decisão, de participação e de autonomia. É também a construção de um poder coletivo”, explicou Anne.

A presidenta da UNISOL Bahia chamou atenção para as desigualdades que persistem dentro das próprias organizações da economia solidária. As mulheres estão presentes em grande número nos empreendimentos e sustentam parte importante do trabalho, mas ainda encontram barreiras para ocupar cargos de liderança e influenciar as decisões.
Segundo Anne, essa desigualdade também aparece na distribuição das atividades: as mulheres são mais presentes em segmentos ligados ao cuidado, como alimentação, saúde e artesanato, e menos representadas em áreas como metalurgia, agroindustrialização e transição energética. Por isso, afirmou, é necessário observar quem tem acesso às informações, quem define prioridades e quem ocupa os espaços de poder.
A conversa também aproximou a autogestão do enfrentamento à violência. Anne apontou que a violência pode operar como forma de controle e retirada da autonomia das mulheres. Nesse sentido, a gestão coletiva, ao democratizar informações e decisões, pode contribuir para construir relações mais igualitárias. “Não basta a gente estar presente; é preciso participar das decisões e fazer a transformação acontecer”, afirmou.

Rede de educadoras seguirá ativa nos territórios
O encontro também retomou o propósito de multiplicação da formação. As participantes foram convidadas a escolher temas estudados no curso e organizar atividades com outras mulheres em seus municípios e territórios. A proposta é que o aprendizado circule e ajude a fortalecer novas redes de diálogo e organização.
Magda reforçou que a conclusão dessa etapa não significa o fim da articulação entre as educadoras. A intenção é manter o grupo de comunicação e divulgar as iniciativas realizadas pelas participantes. “A gente precisa atuar principalmente em rede e se fortalecer a partir dos nossos territórios”, afirmou.

