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Criatividade e solidariedade para enfrentar conseqüências de enchente

Cooperget fabrica calçados, mochilas e acessórios
Cooperget fabrica calçados, mochilas e acessórios

Criatividade e solidariedade são as armas usadas pela Cooperget (Cooperativa de Geração de Renda e Trabalho) para minimizar as conseqüências da enchente que invadiu sua sede, no bairro Getúlio Vargas, em Novo Hamburgo (RS), e manter sua participação na Feira Nacional de Calçados, realizada na mesma cidade.
A cheia da última semana, considerada uma das maiores da história da cidade, estragou parte da produção e do estoque de tecidos usados para fabricação de calçados, mochilas e acessórios bem às vésperas da Feira , evento que começou nesta sexta-feira (6/9).
“Costumamos levar mil pares de calçados para a feira, mas só teremos condições de participar com 300 pares por conta da enchente. A solução para não decepcionar nossa clientela foi fechar provisoriamente a loja que temos no Centro da cidade e usar o estoque dela no evento”, conta o presidente da Cooperget, Mário Pereira.
Mas a capacidade de gestão não é a única aliada da Cooperget. Pereira também conta que um lojista de Porto Alegre, ao saber do ocorrido, decidiu emprestar calçados para serem expostos e comercializados na feira. “Estou indo para Porto Alegre agora (na tarde desta sexta 6/9), para retirar os produtos. Pagaremos posteriormente. O importante é não fazer feio”.
Correria – Quando a água começou a entrar no galpão de 160 m² onde fica a Cooperget só restou aos cooperados se apressarem para salvar o que fosse possível. Máquinas de costura, computadores e matéria-prima (tecidos em geral) foram transportados para o segundo andar. Mas nem tudo pode ser salvo. “Foi tudo na correria. Infelizmente muita coisa se perdeu, pois a água subiu muito rápido. Inclusive, os móveis de cozinha ficaram todos estragados”.
O prejuízo ainda não foi calculado. O certo é que ele não se limita ao material perdido, mas também ao faturamento que não se realizará durante a Feira Nacional de Calçados porque não há produtos para atender toda a demanda.
A cooperativa, inclusive, está aceitando doações tanto para ajustar seu estoque quanto para atender aos cooperados e outros moradores do bairro beneficiados pelo projeto social Villaget, responsável pelo surgimento da Cooperget.
História – Para entender o funcionamento da Cooperget é importante conhecer o trabalho desenvolvido pelo Instituto Villaget, criado em 2003 com a finalidade de capacitar profissionalmente adolescentes de 14 a 18 anos da Vila Getúlio Vargas. O instituto atende em torno de 150 pessoas, que recebem aulas básicas de confeccção de calçados (preparação, costura e modelagem).
A Cooperget foi criada em seguida pelos primeiros jovens formados pelo Instituto Villaget, e que não queriam ser apenas mão de obra trabalhadora, mas protagonistas do empreendedorismo juvenil. Dessa forma, eles contribuem para a continuidade do trabalho que gera desenvolvimento para a comunidade.
A produção é toda vendida numa loja própria, em feiras e também por meio de pedidos feitos por lojas do Rio Grande do Sul e de outros estados.

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