O curso Educadoras Populares no Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, promovido pela Unisol Brasil, realizou no dia 28 de maio seu terceiro encontro formativo, reunindo mulheres de diversas regiões do Brasil para uma profunda reflexão sobre gênero, feminismos e a participação histórica das mulheres na transformação da sociedade.
A atividade foi conduzida pela professora, pesquisadora e militante feminista Tania Tait, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), que compartilhou sua trajetória de atuação nos movimentos de mulheres e apresentou um panorama histórico sobre a construção dos direitos femininos, os movimentos feministas e os desafios que ainda permanecem na busca pela igualdade.
Na abertura da atividade, a secretária-geral da Unisol Brasil, Magda Almeida, destacou a importância da formação como estratégia de fortalecimento das mulheres que atuam nos empreendimentos da economia solidária e nos movimentos sociais.
“Esse curso tem como objetivo fortalecer nós, mulheres, enquanto multiplicadoras, enquanto militantes, e fortalecer essa grande rede de mulheres frente ao enfrentamento da violência contra as mulheres. Também queremos fortalecer nossas bases a partir dos territórios e das lutas que travamos diariamente”, afirmou Magda.
Magda também ressaltou que a iniciativa nasce da necessidade de ampliar os espaços de formação política e organização das mulheres dentro da economia solidária.
“A maioria das pessoas que constroem a economia solidária são mulheres. Por isso, retomamos esse processo formativo com a proposta de construir uma rede capaz de multiplicar conhecimento e fortalecer outras mulheres em seus territórios.”

Feminismos
Durante a aula, Tania Tait apresentou uma reflexão sobre os significados do feminismo e combateu interpretações equivocadas que ainda circulam na sociedade. Para a pesquisadora, o feminismo é, acima de tudo, um movimento pela igualdade de direitos e oportunidades entre mulheres e homens.
A exposição percorreu diferentes momentos da história, desde as primeiras reivindicações femininas registradas ainda no século XVIII até os movimentos contemporâneos que articulam pautas relacionadas à igualdade racial, justiça climática, economia feminista, soberania alimentar, direitos digitais e combate às diversas formas de violência contra as mulheres.
Um dos pontos centrais do encontro foi o debate sobre o apagamento histórico das mulheres. Ao apresentar personagens como Dandara dos Palmares, Chiquinha Gonzaga, Angela Davis, Sônia Guajajara e Anita Garibaldi, Tania chamou atenção para a necessidade de recuperar trajetórias femininas frequentemente invisibilizadas nos relatos oficiais da história.
Referências Brasileiras
O tema gerou intensa participação das educadoras. A dirigente da Unisol Brasil, Vitória Vitor, destacou a importância de valorizar as referências brasileiras nas lutas femininas.
“No movimento pouco se fala das mulheres brasileiras que lutaram e construíram a nossa história. Precisamos fazer esse resgate. Não foram apenas mulheres estrangeiras que protagonizaram essas transformações. Tivemos aqui mulheres de trajetória muito forte e que precisam ser reconhecidas”, defendeu.
A formação também abriu espaço para contribuições de participantes de diferentes realidades. A educadora Adama Baldé, da Guiné-Bissau, chamou atenção para a importância de incluir nas narrativas históricas mulheres africanas que resistiram ao colonialismo e construíram experiências de liderança em seus territórios. Já a diretora da Unisol Brasil, Márcia Dornelles, destacou que o apagamento das mulheres está diretamente relacionado à forma como a história foi produzida ao longo dos séculos.
“As mulheres sempre foram cientistas, escritoras, artistas, lideranças políticas e produtoras de conhecimento. Mas, historicamente, suas contribuições foram negadas ou atribuídas a homens. Recuperar essa memória é também um ato de justiça”, ressaltou.
Ao longo do encontro, as participantes refletiram ainda sobre os avanços conquistados pelas mulheres em áreas como trabalho, educação, participação política e autonomia econômica, sem perder de vista os desafios persistentes relacionados à violência de gênero, à desigualdade salarial, à sobrecarga do trabalho doméstico e à sub-representação feminina nos espaços de poder.
“Mais do que uma aula teórica, o encontro consolidou-se como um espaço de troca de experiências, construção coletiva de conhecimento e fortalecimento da rede de educadoras populares que a Unisol Brasil vem formando em todo o país”, finalizou Magda.
A iniciativa integra o compromisso da entidade com a promoção dos direitos das mulheres, a educação popular e o fortalecimento da economia solidária como instrumento de transformação social, autonomia e construção de uma sociedade mais justa, democrática e igualitária.
Calendário de oficinas
11/06 – Direitos Sexuais e Reprodutivos
18/06 – Cuidado Feminista e Autocuidado
09/07 – Leitura de Conjuntura
16/07 – Autodefesa Feminista
23/07 – Marcos Legais Nacionais e Políticas de Proteção às Mulheres
30/07 – Lei Maria da Penha: Histórico, Direitos e Aplicação Prática
06/08 – Cultura Feminista
13/08 – Fundamentos da Promoção da Saúde
20/08 – Atenção Psicossocial
27/08 – Autonomia Econômica
03/09 – Fundamentos da Autogestão

