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Rede EcoUni quer conectar empreendimentos solidários e ampliar o acesso a mercados em todo Brasil

Empreendimentos da economia solidária produzem alimentos, artesanatos, cosméticos e uma diversidade de outros produtos e serviços. Apesar da importância dessas iniciativas para a geração de trabalho e renda, chegar a novos consumidores e manter canais de comercialização ainda é um desafio. Para enfrentar esse cenário, a Unisol Brasil criou a EcoUni Redes Solidárias, projeto que busca conectar empreendimentos de diferentes regiões do país e fortalecer estratégias coletivas de acesso ao mercado.

Desenvolvida no âmbito do Programa Coopera Mais Brasil, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), a iniciativa tem duração prevista até junho de 2028. A meta é atender 153 empreendimentos em 13 estados, com impacto direto estimado em 4.500 beneficiários.

Segundo Arildo Mota Lopes, presidente da Unisol Brasil, a proposta inicial era criar uma marca de produtos sustentáveis. Durante a construção do projeto, porém, ficou evidente que uma marca, isoladamente, não resolveria os entraves enfrentados pelos pequenos produtores. Era necessário estruturar uma rede capaz de aproximar os empreendimentos, organizar a oferta e ampliar os canais de venda. “Pequenos empreendimentos e associações têm dificuldade de entrar nas redes de comercialização. Através das redes, a gente consegue ir mais longe”, explica Arildo.

A proposta é reunir produtos de diferentes territórios para construir uma oferta mais diversificada e ampliar as possibilidades de negociação. Empreendimentos que, individualmente, teriam dificuldade para atender determinados mercados poderão complementar a produção uns dos outros, compartilhar estratégias e construir soluções conjuntas de logística e distribuição.

Para Anne Guiomar Sena, uma das idealizadoras do projeto, o desafio começa quando produtos de qualidade, com identidade e histórias próprias, não conseguem chegar de maneira consistente aos consumidores. “A gente precisa pensar em como esses produtos chegam às pessoas, circulam, encontram mercados e geram renda”, destaca.

Na avaliação de Anne, a comercialização em rede permite combinar produtos de diferentes regiões, criar novas possibilidades de oferta e aproximar empreendimentos que, embora tenham atividades distintas, compartilham princípios de cooperação e organização coletiva.

Mais estrutura, qualificação e oportunidades

A EcoUni prevê ações de assessoria técnica e formação para apoiar os empreendimentos em diferentes etapas da produção e da comercialização. O trabalho inclui temas como gestão, organização financeira, qualificação dos produtos, embalagens, precificação, logística e comunicação.

A intenção é preparar os grupos para atender às exigências dos mercados sem perder as características que tornam cada iniciativa única. Isso envolve compreender a demanda dos consumidores, aprimorar a apresentação dos produtos e organizar processos que permitam ampliar as vendas com sustentabilidade.

O projeto também pretende fortalecer as relações comerciais entre os próprios empreendimentos, incentivando uma rede em que os participantes possam atuar tanto como produtores quanto como consumidores. Essa dinâmica contribui para ampliar a circulação de produtos e serviços dentro da própria economia solidária.

A atuação da EcoUni inclui a construção de estratégias coletivas para acessar diferentes mercados. Entre as possibilidades estão as compras públicas, por meio de programas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), além de oportunidades de comercialização em centrais de abastecimento, rodadas de negócios e canais voltados diretamente aos consumidores.

Para viabilizar essa articulação, o projeto prevê cinco bases regionais de atendimento e um centro nacional de distribuição em São Paulo, na região da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). A estrutura busca aproximar a produção dos canais de comercialização, facilitar a organização da oferta e contribuir para a redução de custos logísticos.

A iniciativa também prevê o desenvolvimento de uma plataforma digital e a realização de uma feira nacional, ampliando as possibilidades de divulgação e conexão entre os empreendimentos.

Mobilização regional marca o início das atividades

Em outubro de 2026, a EcoUni iniciou uma agenda de encontros regionais de sensibilização e articulação com empreendimentos e organizações locais. As atividades têm como objetivo apresentar a proposta do projeto, aproximar os participantes e construir as bases para o trabalho conjunto.

Os encontros foram realizados em Aracaju (SE), Mogi das Cruzes (SP), Porto Alegre (RS), Rio Branco (AC) e Sete Barras (SP), no Vale do Ribeira. A programação prevê ainda atividades em Manaus (AM), no dia 19 de outubro, e em Ponta Porã (MS), no dia 20 de outubro.

A mobilização é uma etapa importante para aproximar a equipe do projeto das realidades de cada território, reconhecer a diversidade dos empreendimentos e identificar possibilidades de cooperação e comercialização.

Para Arildo, o horizonte é consolidar a EcoUni como uma referência nacional em comercialização solidária, capaz de conectar produtores, estimular o consumo consciente e fortalecer alternativas econômicas baseadas na cooperação.

Anne também destaca que o fortalecimento comercial precisa caminhar junto com a preservação da identidade dos territórios e dos princípios da economia solidária. A ampliação dos mercados, nessa perspectiva, deve criar oportunidades sem abrir mão da gestão coletiva, da valorização do trabalho e das relações mais justas de produção e consumo.

Acompanhe as novidades e as atividades do projeto no Instagram: @redeecouni.

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