A Missão Josué de Castro realizou, nos dias 20 e 21 de agosto, o Encontro Territorial de Sergipe. Com o tema “Territórios que lutam, soberania que alimenta”, a atividade aconteceu no Assentamento Moacir Wanderley, em Quissamã, no município de Nossa Senhora do Socorro, e fortaleceu a articulação entre organizações comprometidas com o combate à fome, a soberania alimentar e o desenvolvimento sustentável.
Realizado em parceria com a Fundação Banco do Brasil, o encontro proporcionou um espaço de escuta, diálogo e construção coletiva a partir das experiências e necessidades do território sergipano. A programação incluiu apresentação da Missão Josué de Castro, participação das organizações envolvidas, análise de conjuntura, consolidação da primeira fase do diagnóstico territorial e elaboração de um plano de ação para Sergipe.

Para Anderson Cardoso, presidente da UNISOL Sergipe e diretor financeiro da UNISOL Brasil, a atividade representa mais do que o cumprimento de uma agenda institucional. É uma oportunidade de construir respostas coletivas para um dos principais desafios enfrentados pelo país.
“Este encontro não é apenas mais uma atividade de uma agenda de organizações. Ele representa uma oportunidade de construirmos, a partir do território, uma agenda comum para enfrentar um dos maiores desafios do nosso tempo: garantir que todas as pessoas tenham acesso a uma alimentação saudável, adequada e produzida de forma socialmente justa e ambientalmente sustentável”, afirmou.

Alimentação como parte de um sistema
Durante os debates, a alimentação foi abordada de maneira ampla, considerando toda a cadeia que envolve a produção, o beneficiamento, a comercialização, o abastecimento e o acesso da população aos alimentos.
A proposta é compreender quem produz, em quais condições essa produção acontece, como os alimentos chegam às cidades, quem consegue acessar os mercados e de que maneira a riqueza gerada por esse processo é distribuída.
Nesse contexto, a economia popular e solidária ocupa um papel estratégico ao defender formas de produção baseadas na cooperação, na autogestão, na valorização dos territórios e na distribuição mais justa dos resultados.
“Para nós, da UNISOL, soberania alimentar e economia solidária caminham juntas. Não existe soberania alimentar sem fortalecer quem produz. E não existe desenvolvimento verdadeiramente sustentável se trabalhadores e trabalhadoras, agricultores familiares, pescadores, artesãos, cooperativas e empreendimentos populares continuarem enfrentando dificuldades para acessar crédito, tecnologia, formação, infraestrutura e mercados”, destacou Anderson.
Segundo ele, é necessário construir uma economia que coloque as pessoas no centro das decisões, valorize os conhecimentos locais e amplie as condições para que a agricultura familiar, a produção agroecológica, as cooperativas e os empreendimentos solidários possam agregar valor aos seus produtos e acessar novos espaços de comercialização.

Diagnóstico e ações prioritárias para Sergipe
No segundo dia do encontro, os participantes se dedicaram à análise de conjuntura e à consolidação da primeira fase do diagnóstico territorial. Em seguida, as organizações realizaram reuniões orientadas por perguntas geradoras para identificar três ações prioritárias da Missão Josué de Castro em Sergipe.
As propostas foram socializadas e reunidas em uma síntese, relacionando os desafios da conjuntura às ações consideradas fundamentais para o fortalecimento do território.
O processo levou em consideração a diversidade produtiva e organizativa existente no estado, incluindo experiências da agricultura familiar, da pesca, das comunidades tradicionais, da agroecologia, das cooperativas, das associações e dos empreendimentos econômicos solidários.
“Sergipe tem experiências importantes que precisam ser reconhecidas e conectadas. O desafio agora é fazer com que essas iniciativas deixem de estar isoladas e passem a integrar uma estratégia comum. Precisamos transformar experiências em redes, redes em estratégias e estratégias em políticas públicas capazes de mudar a vida das pessoas”, ressaltou Anderson.
Ele ainda lembra que para a UNISOL, a transformação dos sistemas agroalimentares depende da conexão entre quem produz, transforma, comercializa e consome. Também exige a articulação entre movimentos populares, organizações sociais, universidades, governos, sindicatos, cooperativas e empreendimentos solidários.

A entidade colocou à disposição da Missão Josué de Castro sua experiência na organização de empreendimentos, no cooperativismo, na autogestão, na formação, na comercialização e na construção de redes. Ao mesmo tempo, destacou que o processo deve estar sustentado na escuta das pessoas que vivem, produzem e organizam alternativas nos territórios.
“Um encontro territorial só faz sentido se conseguirmos ouvir quem conhece as potencialidades e os problemas do território, quem produz alimentos, quem organiza as comunidades e quem constrói alternativas todos os dias. Ninguém transforma um sistema sozinho”, completou.
Construção nacional a partir dos territórios
Inspirada no legado do médico, geógrafo e intelectual brasileiro Josué de Castro, referência mundial no combate à fome, a Missão reúne organizações nacionais na construção de uma Rede Popular de Abastecimento e Acesso Alimentar. A UNISOL Brasil integra essa articulação ao lado de movimentos populares, entidades da agricultura familiar, organizações da sociedade civil e sindicatos.
O Projeto Sementes – Fase 1, desenvolvido pela Missão em parceria com a Fundação Banco do Brasil, busca construir uma metodologia de transição ecológica dos sistemas alimentares, por meio de ações articuladas nos âmbitos territorial e nacional. A iniciativa procura fortalecer a participação social e promover sistemas alimentares saudáveis, resilientes e integrados. Saiba mais sobre a iniciativa.
“Não queremos apenas combater a fome depois que ela acontece. Queremos construir as condições para que ela não aconteça. Queremos fortalecer quem produz alimentos, os territórios e a economia popular e solidária. Queremos construir sistemas de produção e abastecimento mais justos, sustentáveis e democráticos”, defendeu Anderson.
Ao final, o dirigente reafirmou o compromisso da UNISOL Brasil com a construção de uma agenda concreta para Sergipe, conectada às necessidades reais do estado e às ações nacionais da Missão Josué de Castro.
“Honrar a memória e o legado de Josué de Castro significa não apenas falar sobre a fome, mas ajudar a construir um Brasil onde o direito à alimentação, ao trabalho digno, à renda e à vida com dignidade seja uma realidade para todos e todas”, concluiu.
Agenda da Missão
A etapa de Sergipe faz parte de uma agenda de encontros territoriais realizada em diferentes regiões do país. Nos dias 8 e 9 de agosto, a Missão promoveu o encontro do Piauí. A Bahia recebeu sua atividade nos dias 21 e 22 de agosto. A próxima etapa reunirá Santa Catarina e Rio Grande do Sul, nos dias 26 e 27 de agosto.
Os encontros dão continuidade ao processo nacional de articulação da Missão Josué de Castro e permitem que diagnósticos, experiências e propostas construídas localmente contribuam para uma agenda nacional de transformação dos sistemas agroalimentares.

