Em artigo publicado no site da Unicopas, a presidenta da Unisol Bahia, Anne Sena, apresenta uma reflexão sobre os rumos do desenvolvimento brasileiro e defende que a Economia Popular e Solidária deve ocupar posição estratégica nas políticas voltadas à reindustrialização do país, à transição ecológica e ao enfrentamento das desigualdades sociais.
A autora destaca que a Economia Popular e Solidária deixou de ser compreendida apenas como uma resposta ao desemprego ou à exclusão social. Hoje, afirma, trata-se de uma estratégia capaz de democratizar as relações econômicas por meio da cooperação, da autogestão e da participação coletiva na produção de riqueza.
No texto assinado “Economia Popular e Solidária: da política compensatória à estratégia nacional de desenvolvimento”, a dirigente argumenta que o crescimento econômico, por si só, não garante desenvolvimento. Segundo ela, o atual contexto, marcado pelas transformações tecnológicas, pela financeirização da economia, pela crise climática e pela precarização das relações de trabalho, exige novas formas de organização econômica que coloquem as pessoas, os territórios e a democracia econômica no centro das decisões.
No artigo, Anne dialoga com importantes referências do pensamento econômico, como Paul Singer, José Luis Coraggio e Marcio Pochmann, reforçando que a economia deve ser compreendida como um instrumento voltado à reprodução da vida, ao bem-estar coletivo e à sustentabilidade, e não apenas à geração de lucro.
“A Economia Popular e Solidária já demonstra, na prática, sua capacidade de transformar os territórios. Cooperativas, associações, bancos comunitários, empreendimentos da agricultura familiar, organizações de reciclagem, redes de comercialização, fundos solidários e iniciativas ligadas à economia do cuidado movimentam diariamente a economia brasileira, gerando trabalho, renda, inclusão produtiva e desenvolvimento local. Estamos falando de um campo econômico vivo, robusto e estratégico para o futuro do país”, afirma Anne Sena.
Outro ponto central do artigo é a defesa da consolidação do Sistema Nacional de Economia Popular e Solidária como política pública estruturante.
“O desafio não é criar uma nova institucionalidade, mas fortalecer a estrutura construída ao longo de décadas pelos movimentos sociais, universidades, organizações da sociedade civil e gestores públicos, assegurando financiamento permanente, governança federativa, assistência técnica, formação, produção de dados e participação social”, ressalta Anne.
Nova Indústria Brasil e Economia Popular e Solidária
No artigo, Anne Sena também estabelece uma conexão entre a Economia Popular e Solidária e a política da Nova Indústria Brasil (NIB). Para a presidenta da Unisol Bahia, a reconstrução da capacidade produtiva do país precisa estar acompanhada da democratização do acesso ao crédito, à tecnologia, aos mercados e aos processos de decisão, garantindo que os benefícios do desenvolvimento alcancem toda a sociedade.
“A Economia Popular e Solidária pode ser um dos principais instrumentos para que a reindustrialização, a transição ecológica e a inovação tecnológica aconteçam de forma socialmente inclusiva. O desenvolvimento que o Brasil precisa é aquele que gera riqueza, mas também amplia oportunidades, fortalece os territórios e reduz as desigualdades”, afirma Anne Sena.
O artigo completo está disponível no site da Unicopas e contribui para ampliar o debate sobre o papel da Economia Popular e Solidária na construção de um Brasil mais democrático, produtivo e socialmente desenvolvido.

