NotíciasFortalecer o cooperativismo solidário significa fortalecer o próprio Brasil, por Arildo Mota

Fortalecer o cooperativismo solidário significa fortalecer o próprio Brasil, por Arildo Mota

O cooperativismo brasileiro chegou a um momento decisivo. Se queremos construir um país mais justo, produtivo e sustentável, precisamos reconhecer que milhares de trabalhadores e trabalhadoras já fazem isso diariamente por meio da cooperação, da autogestão e da economia solidária. O que falta é que a legislação acompanhe essa realidade.

A proposta de uma nova Lei Nacional do Cooperativismo Solidário, apresentada pela Unicopas na Plataforma 2027-2030, representa muito mais do que uma atualização jurídica. Ela significa o reconhecimento de um modelo de desenvolvimento que coloca o trabalho acima da especulação, as pessoas acima do lucro e a coletividade como motor da geração de riqueza.

As cooperativas solidárias não surgem apenas para disputar mercado. Elas nascem para responder a necessidades concretas das comunidades: gerar trabalho digno, fortalecer a agricultura familiar, organizar catadores de materiais recicláveis, produzir alimentos, prestar serviços, industrializar produtos, promover inclusão social e desenvolver os territórios.

Ao longo de décadas, esse movimento cresceu mesmo enfrentando enormes obstáculos. Muitas cooperativas convivem com legislações pensadas para outras realidades, dificuldades de acesso ao crédito, barreiras tributárias, limitações para participar de compras públicas e pouca assistência técnica. Ainda assim, seguem produzindo, inovando e demonstrando que outra economia é possível.

Por isso defendemos um novo marco legal.

Precisamos de uma legislação que compreenda as especificidades do cooperativismo solidário e ofereça condições para seu fortalecimento. Isso significa simplificar processos, ampliar o acesso às políticas públicas, criar mecanismos adequados de financiamento, estimular a inovação e reconhecer juridicamente empreendimentos que têm na autogestão, na democracia e na solidariedade seus princípios fundamentais.

Essa agenda dialoga diretamente com o momento que o Brasil vive. O país discute reindustrialização, transição ecológica, desenvolvimento regional, segurança alimentar e combate às desigualdades. Em todos esses temas, o cooperativismo solidário já apresenta soluções concretas.

Não faz sentido pensar um projeto nacional de desenvolvimento sem incluir quem produz coletivamente, distribui renda nos territórios, fortalece economias locais e gera oportunidades para populações historicamente excluídas dos processos produtivos.

A nova legislação também representa um investimento no futuro. Ela cria condições para que cooperativas ampliem sua competitividade, incorporem tecnologia, agreguem valor à produção e participem de cadeias econômicas estratégicas, sem abrir mão dos princípios da democracia econômica e da distribuição coletiva dos resultados.

Na Unisol Brasil, acreditamos que fortalecer o cooperativismo solidário significa fortalecer o próprio Brasil.

Quando uma cooperativa cresce, cresce junto uma comunidade inteira. Quando um empreendimento solidário acessa crédito, gera empregos. Quando consegue vender para o poder público, movimenta a economia local. Quando se organiza coletivamente, fortalece a democracia e reduz desigualdades.

A lei que defendemos não cria privilégios. Ela corrige distorções históricas e reconhece um setor que já contribui de forma decisiva para o desenvolvimento econômico e social do país.

Mais do que uma nova legislação, defendemos um novo olhar sobre a economia brasileira: uma economia capaz de crescer sem deixar ninguém para trás, construída com participação, cooperação e solidariedade.

Porque acreditamos que o futuro do desenvolvimento nacional passa, necessariamente, pelo fortalecimento das cooperativas e da Economia Popular e Solidária. É hora de o Brasil reconhecer, também na lei, aquilo que milhares de trabalhadores e trabalhadoras já demonstram todos os dias na prática: cooperar é desenvolver.

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