Representantes da UNISOL Brasil participaram da II Conferência Nacional do Trabalho (II CNT), realizada entre os dias 3 e 5 de março, no Distrito Anhembi, em São Paulo, reunindo delegações de diversos estados brasileiros para debater o futuro do mundo do trabalho. O encontro, promovido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) com apoio da Organização Internacional do Trabalho (OIT), contou com a presença de mais de 3 mil delegados e delegadas de todo o país, representando trabalhadores, empregadores e governo.
Ao longo dos três dias de conferência, foram analisadas 370 propostas construídas nas etapas estaduais realizadas entre setembro e dezembro de 2025, culminando na aprovação de 17 propostas nacionais voltadas ao fortalecimento das relações de trabalho, da negociação coletiva e da proteção social. A abertura do evento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que destacou a importância do diálogo social para o desenvolvimento do país.

Economia solidária presente no debate nacional sobre o trabalho
A UNISOL Brasil participou do encontro levando ao debate a perspectiva da economia solidária como parte fundamental das políticas públicas de trabalho, renda e desenvolvimento. A entidade esteve representada por dirigentes e cooperados de diferentes estados, entre eles Sergipe, Bahia, Paraíba, Piauí, São Paulo e Rio Grande do Sul, reforçando o caráter nacional da organização e a diversidade dos empreendimentos solidários presentes no país.
A secretária-geral da UNISOL Brasil, Magda Almeida, destacou a importância da presença da entidade em espaços de formulação de políticas públicas.
“A participação da UNISOL Brasil na Conferência reafirma que a economia solidária faz parte do debate nacional sobre o futuro do trabalho. Nossos empreendimentos representam milhares de trabalhadores e trabalhadoras que organizam sua produção de forma coletiva e democrática. Estar nesse espaço significa defender políticas públicas que reconheçam e fortaleçam essas experiências em todo o país.”

Economia solidária como alternativa ao trabalho precarizado
Para Márcia Dornelles, secretária institucional da UNISOL Brasil, a conferência foi um espaço importante para discutir os desafios do mundo do trabalho diante das transformações econômicas, sociais e tecnológicas.
“A II Conferência Nacional do Trabalho reuniu representantes de todo o país para debater o futuro do trabalho e consolidar propostas voltadas ao trabalho decente. A economia solidária tem relação direta com esse debate, porque apresenta caminhos para enfrentar a precarização do trabalho, ampliar a inclusão produtiva e reconhecer formas coletivas e autogestionárias de organização da produção. Ela surge como uma estratégia importante para garantir trabalho digno, democrático e sustentável.”
Segundo ela, a economia solidária ganha relevância justamente em um momento de profundas mudanças no mercado de trabalho.
“A economia solidária conecta trabalho, inclusão social e desenvolvimento local. Por isso, nós da UNISOL Brasil participamos ativamente da construção coletiva de um plano nacional voltado ao fortalecimento do trabalho decente, baseado na cooperação, na autogestão e na distribuição mais justa da renda.”

Reconhecimento dos trabalhadores da economia solidária
A diretora da UNISOL Sergipe, Claudia Pereira, ressaltou que a presença da economia solidária em um evento voltado ao mundo formal do trabalho ajuda a ampliar o reconhecimento de outras formas de produzir e gerar renda.
“Eventos como esse são muito importantes para que as pessoas conheçam o mundo da economia solidária. Artesãos, artesãs, agricultores e agricultoras familiares e trabalhadores e trabalhadoras de diferentes áreas também são trabalhadores e trabalhadoras que produzem, têm talento e geram renda com dignidade. A economia solidária mostra que é possível organizar o trabalho de forma coletiva, com autogestão e responsabilidade.”
Diálogo sobre direitos, qualidade de vida e novos modelos de trabalho
Representando a UNISOL Bahia, o diretor João Ricardo, agricultor familiar e agente da economia popular solidária, destacou que o encontro fortalece a luta por melhores condições de trabalho e qualidade de vida.
“É muito gratificante participar de um evento tão importante como a Conferência Nacional do Trabalho. Aqui trabalhadores, empregadores e governo dialogam para construir melhores condições de trabalho. Discutimos valorização do trabalhador, qualidade de vida, fim da escala 6×1 e também a autogestão, que é uma forma de organização da economia popular solidária. Acreditamos que esse modelo mais sustentável e democrático é um caminho para o futuro do trabalho.”
Dar visibilidade aos trabalhadores da economia solidária
Para Vitória Vitor, presidenta da UNISOL Paraíba, a conferência também foi um espaço fundamental para dar visibilidade aos trabalhadores e trabalhadoras da economia solidária.
“A economia solidária também é trabalho. Mesmo sem carteira assinada, agricultores, artesãos e prestadores de serviço contribuem para o desenvolvimento das comunidades e do país.”
Segundo ela, a participação no evento ajuda a ampliar o conhecimento sobre essas formas de trabalho. “É importante que os trabalhadores formais conheçam essa realidade e que políticas públicas valorizem esses trabalhadores.”
A economia solidária no planejamento do futuro do trabalho
Já Sanilton Carvalho , presidente da Unisol Piauí, ressaltou que o debate sobre economia solidária precisa estar presente no planejamento das políticas públicas nacionais. “A Conferência Nacional do Trabalho é importante porque cada representante traz a voz do seu estado e contribui para pensar o futuro do trabalho no país.”
Ele destacou que a economia solidária representa uma alternativa econômica baseada no coletivo. “É fundamental valorizar a agricultura familiar, o trabalho coletivo e construir uma economia mais justa.”
Conferência aprova propostas para fortalecer o mundo do trabalho
Ao final da conferência, os delegados aprovaram uma Declaração Final reafirmando a importância do diálogo social, da negociação coletiva e da construção de políticas públicas voltadas ao trabalho decente.
O documento também aponta desafios relacionados às transformações tecnológicas, às mudanças nas cadeias produtivas globais e à necessidade de ampliar políticas de qualificação, proteção social e geração de empregos.

