Na tarde desta segunda-feira (9), a CUT Bahia realizou, em sua sede, uma reunião conjunta dos coletivos de Economia Solidária e de Combate ao Racismo. O encontro teve como objetivo alinhar estratégias, definir prioridades e organizar as ações para 2026, fortalecendo a luta por direitos, igualdade racial e justiça social. A Unisol Brasil participou da atividade, reafirmando seu compromisso histórico com a economia solidária e com o enfrentamento ao racismo estrutural no mundo do trabalho.

Entre os principais pontos debatidos esteve a participação da CUT e dos sindicatos na tradicional Mudança do Garcia, bloco de Carnaval sem cordas que desfila na segunda-feira no bairro do Garcia, em Salvador, marcada para o próximo dia 16 de fevereiro, além da necessidade de aproximar ainda mais os sindicatos da agenda da economia solidária no estado da Bahia.
Representando a Unisol Brasil, a secretária-geral Magda Almeida destacou que a reunião foi um espaço estratégico de retomada do diálogo entre economia solidária e sindicatos, especialmente a partir da iniciativa da Secretaria de Relações do Trabalho da CUT Bahia.
“Essa reunião foi muito importante porque reuniu sindicatos, a Unisol Brasil, com a presença do presidente, do tesoureiro e da secretaria-geral,Nosso objetivo é retomar e aprofundar o debate da economia solidária junto aos sindicatos, mostrando a importância desse segmento para a classe trabalhadora organizada nos empreendimentos, cooperativas e associações”, afirmou ela, que também atua na coordenação estadual do Programa de Formação Paul Singer.
Segundo Magda, a economia solidária precisa ser compreendida para além da geração de renda, envolvendo também processos estruturantes como formação política, apoio técnico, comercialização, consumo consciente e fortalecimento das bases. “A economia solidária tem um lugar fundamental na formação de multiplicadores, no apoio aos empreendimentos, na comercialização e na construção de uma cultura do consumo solidário. Isso precisa estar conectado à ação sindical e às bases”, destacou.
Ela também reforçou o papel histórico da CUT na construção da economia solidária, tanto em nível nacional quanto no estado da Bahia. “A CUT tem um papel primordial desde o início da economia solidária no Brasil. O desafio que ainda temos é ampliar o envolvimento dos sindicatos, criar espaços de formação, seminários, palestras e ações que aproximem essa agenda das bases e da classe trabalhadora que já está organizada nesse modelo”, completou.
Para Gilene Pinheiro, Secretária de Relações do Trabalho da CUT Bahia e Secretária de Movimento Sindical e Social da Unissol Bahia, essa reunião do Coletivo de Economia Solidária da CUT Bahia cumpre o importante papel de organizar as ações para 2026 e tornar a luta sindical mais inclusiva e abrangente.
“Sendo a formação a prioridade elencada pelo coletivo, compreender a economia solidária como instrumento eficaz de organização da classe trabalhadora, um modelo de economia com sua forma de produção e distribuição de riqueza, será essencial para apoiar e fortalecer nossas ações. É hora de aprender e entender as complexidades da economia solidária e colocá-la no centro da luta sindical. Assim, juntos, podemos contribuir para um modelo de desenvolvimento que priorize a cooperação, a justiça social e a valorização do trabalho”, afirmou.

Economia solidária como estratégia do movimento sindical
O secretário de Economia Solidária da CUT Brasil, Admirson Medeiros Ferro Júnior (Greg), que foi um dos responsáveis pela articulação da reunião, destacou que a iniciativa da CUT Bahia dialoga diretamente com o esforço nacional de fortalecer a economia solidária como eixo estratégico do movimento sindical.
“Essa reunião é fruto de um processo de articulação que busca aproximar cada vez mais a economia solidária do cotidiano sindical. As experiências dos estados, como a da Bahia, são fundamentais para fortalecer a agenda nacional, porque é nos territórios que a economia solidária se materializa na vida da classe trabalhadora, especialmente da população negra, das mulheres e dos setores mais precarizados”, afirmou.
Segundo ele, o desafio agora é ampliar a participação dos sindicatos e transformar esse debate em ação concreta. “Nosso esforço é fazer com que os sindicatos se reconheçam como parte ativa dessa construção, participando da formação, do apoio aos empreendimentos, da comercialização e do fortalecimento das redes de economia solidária. É assim que consolidamos a economia solidária como uma estratégia estruturante do movimento sindical brasileiro”, concluiu.
Compromisso com uma agenda integrada para 2026
O presidente da Unisol Brasil, Arildo Motta, ressaltou que a participação da entidade nos coletivos da CUT fortalece a construção de um projeto de desenvolvimento solidário e inclusivo. “A economia solidária dialoga diretamente com a luta por trabalho digno, justiça social e combate às desigualdades. Estar junto da CUT Bahia nesse processo é fundamental para ampliar nossa incidência política e fortalecer os empreendimentos solidários”, afirmou.Já o diretor financeiro da Unisol Brasil, Anderson Cardoso, destacou a importância de aproximar a economia solidária do cotidiano sindical. “Fortalecer a economia solidária é também fortalecer a autonomia econômica da classe trabalhadora. Esse diálogo com os sindicatos é essencial para garantir sustentabilidade aos empreendimentos e ampliar o alcance dessa política”, pontuou.

