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Projeto Entrelaçando Culturas realiza primeiras oficinas de economia solidária em territórios indígenas de Paraty (RJ)

Atividades marcam início da formação e articulação de rede indígena de economia popular e solidária no Sudeste

A Unisol Brasil deu início, nos dias 27 e 28 de abril, às primeiras oficinas de formação em economia popular e solidária no âmbito do projeto “Entrelaçando Culturas: Economia Popular e Solidária das Comunidades Indígenas”, em territórios indígenas localizados no município de Paraty (RJ).

As atividades aconteceram na Terra Indígena Itaxim (Paraty-Mirim) e na Reserva Indígena Pataxó Hã-Hã-Hãe de Iriri, reunindo lideranças, artesãos e representantes das comunidades em um processo formativo construído a partir do diálogo e da troca de saberes.

As oficinas foram conduzidas em formato participativo, priorizando rodas de conversa e espaços de escuta ativa, nos quais foram debatidos temas centrais da economia popular e solidária, como organização coletiva, formação de redes, fortalecimento das associações e estratégias de atuação territorial.

A atividade contou com a participação da Unisol Brasil e da Unisol São Paulo, com a presença de formadores e técnicos, entre eles Jorge Silva e Thiago Custódio, este último vinculado à Rede de Formação Paul Singer.

Durante os encontros, os participantes puderam esclarecer dúvidas, compartilhar experiências e aprofundar conhecimentos sobre os princípios da economia solidária, além de discutir caminhos para o fortalecimento das iniciativas produtivas locais.

Para Edmilson Gonçalves, coordenador do projeto, a iniciativa representa um marco na construção de políticas e práticas voltadas ao fortalecimento das comunidades indígenas:

“O Entrelaçando Culturas nasce da escuta e do respeito aos territórios. Cada comunidade tem sua própria história, sua forma de organização e seu modo de construir o trabalho coletivo. Nosso papel, enquanto Unisol, é somar forças para que essa rede indígena de economia solidária se estruture de maneira autônoma, fortalecendo iniciativas que já existem e abrindo caminhos para novas possibilidades. Mais do que um projeto, estamos construindo uma ponte entre saberes ancestrais, gestão coletiva e futuro.”

Para o oficineiro Thiago Custódio, as atividades marcaram um momento importante de construção coletiva e aprofundamento dos debates nos territórios:

“O encontro foi muito rico, com muitos debates sobre o conceito de economia solidária, sua história, a construção de redes, financiamento e organização de feiras, entre outros temas. Foi um processo muito satisfatório, com grande participação das comunidades.” Ele também destacou a importância da continuidade das ações e os avanços observados já na segunda oficina, realizada com o povo Pataxó:

“Houve grande interação e um amplo debate sobre projetos e sobre a realidade do território. Discutimos caminhos mais adequados para cada comunidade, considerando suas especificidades. O diálogo foi muito importante e esperamos seguir com as oficinas, ampliando a economia solidária entre os povos indígenas.”

Fortalecimento das organizações e construção em rede

Na segunda atividade, realizada no território Pataxó, o debate avançou para aspectos mais estruturais, como o funcionamento das associações, a importância do levantamento de dados e o papel das redes na articulação entre territórios.

A programação também contou com uma feira local, que evidenciou a produção das comunidades e reforçou a importância da economia solidária como instrumento de geração de renda, autonomia e valorização cultural.

Projeto prevê atuação em diversos territórios do Sudeste

As oficinas realizadas em Paraty marcam o início de um ciclo formativo que será desenvolvido ao longo dos próximos meses em outros cinco territórios indígenas da região Sudeste: Boa Vista (Ubatuba), Tekoha Dje’y (Paraty), Terra Indígena do Jaraguá (São Paulo), Reserva Indígena Filhos Dessa Terra (Guarulhos) e Associação Pankararu (São Paulo).

Ao todo, cerca de 150 indígenas participarão das formações, estruturadas em dois eixos principais:

  • Economia Popular e Solidária, com foco no fortalecimento das iniciativas produtivas coletivas;
  • Estruturação de Redes e Organizações, voltado à construção de formas de articulação e gestão compartilhada entre os territórios.

Para o presidente da Unisol Brasil, Arildo Mota, o projeto reafirma o compromisso da economia solidária com o fortalecimento dos territórios e com o protagonismo dos povos indígenas:

“A economia solidária tem um papel estratégico na construção de um modelo de desenvolvimento que respeita os territórios, valoriza a cultura e gera trabalho e renda com dignidade. O Entrelaçando Culturas é uma iniciativa que dialoga diretamente com essa perspectiva, ao reconhecer e fortalecer as formas próprias de organização dos povos indígenas. Estamos falando de construir autonomia, fortalecer redes e garantir que essas comunidades tenham condições de desenvolver suas potencialidades a partir de seus próprios saberes e realidades.”

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