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Paul Singer, presente!

Partiu na noite de 16 de abril, aos 86 anos, o professor Paul Singer. Economista e Sociólogo, foi o fundador da Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES) em 2003, e desde então vinha trabalhando arduamente pelo desenvolvimento e apoio à economia solidária no Brasil.
Defendia a propriedade coletiva ou associada do capital, e que o poder público teria como missão captar parte dos ganhos acima do considerado socialmente necessário para redistribuir essa receita entre os que ganham abaixo do mínimo indispensável. Esses eram os princípios contidos em seu livro “Introdução à Economia Solidária”, publicado em 2002. Sua atuação na SENAES sinalizava um processo de construção de uma política pública de apoio à economia solidária, e houve crescimento e fortalecimento da rede.
Nascido na Áustria, veio com a família para o Brasil em 1940, fugindo do Holocausto nazista. Formou-se em eletrotécnica, foi filiado ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, deu aulas e formou-se economista e sociólogo pela USP, orientado por Florestan Fernandes. Estudou demografia nos EUA e teve seus direitos políticos caçados durante a ditadura. Participou da fundação do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) e ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores. Foi Secretário de Planejamento do município de São Paulo na gestão Luiza Erundina e se destacou nas pesquisas sobre economia solidária. Publicou vários livros sobre o tema e é referência para estudos sobre desenvolvimento local.
Mesmo depois que deixou a SENAES, o professor Paul Singer continuou acompanhando e participando do movimento da economia solidária, comparecendo a eventos como a FEICOOP, maior feira de Economia Solidária da América Latina, e encorajando o movimento e a resistência. Este presente à inauguração do Ponto de Economia Solidária Benedito, em São Paulo, e em muitos outros eventos desde então.
Em entrevista à jornalista Mônica Ribeiro, logo após deixar a SENAES, Singer apontou dois desafios importantes à vista: aprovar a lei do cooperativismo e a lei da Economia Solidária: “Cada vez mais países adotam legislações de economia solidária. A França fez uma lei muito boa, que obriga as empresas que irão decretar falência a informar aos seus trabalhadores a situação para que os mesmos tenham tempo e a opção de se organizarem numa cooperativa e assumir a companhia. A Itália tem legislação sobre isso, Espanha, Portugal, México… eu ajudei a fazer várias dessas leis a convite, e todas elas estão aprovadas hoje. Mesmo a ONU está dando apoio à economia solidária. O Brasil precisa aprovar essa lei. A informalidade é um prejuízo muito grande para o desenvolvimento da economia solidária, por isso a conquista dessa legislação é indispensável”.
Vá em paz, companheiro!

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