O maior encontro do cooperativismo da agricultura familiar no país começou nesta segunda-feira(8), em Brasília, reunindo centenas de trabalhadores e trabalhadoras que fazem do cooperativismo uma alternativa concreta de produção, renda e vida digna no campo.
O 2º Encontro Nacional de Cooperativismo – Coopera Mais Brasil segue até a próxima quinta-feira (11), com debates, oficinas e articulações políticas que vão pautar o futuro das cooperativas brasileiras.
A Unisol Brasil participa de forma marcante: são quase 100 representações de diferentes estados, demonstrando a força e a diversidade de sua base, que inclui cooperativas urbanas e rurais, de diferentes cadeias produtivas.
O primeiro dia de evento foi marcado pelo credenciamento das delegações, que lotaram o auditório do ParlaMundi. Entre abraços, reencontros e novas parcerias que começam a se formar, o clima foi de celebração e também de compromisso coletivo. O lema que orienta o encontro — “Cooperativismo para a Soberania Alimentar” — ecoou como bandeira de luta e esperança em cada fala.
Na abertura solene, lideranças do governo e das centrais de cooperativas destacaram a trajetória do programa Coopera Mais Brasil, que completa um ano de existência. O evento contou com a presença de representantes de ministérios estratégicos como o Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Trabalho e Emprego (MTE), Desenvolvimento Social (MDS), Agricultura (MAPA), além de parlamentares e convidados internacionais,
O ministro Paulo Teixeira anunciou um pacote de R$ 600 milhões em medidas para apoiar cooperativas e agricultores, com foco em crédito, bioinsumos, inovação e redes de apoio. Segundo o ministro, os recursos terão impacto direto no fortalecimento das cadeias produtivas em todas as regiões do Brasil.

Para o presidente da Unisol Brasil, Arildo Mota, a abertura do encontro mostrou que o cooperativismo de fato ocupa lugar central na agenda nacional:
“Estarmos aqui com quase 100 representações mostra a força da Unisol e o quanto acreditamos no papel do cooperativismo para transformar a vida dos trabalhadores e trabalhadoras da agricultura familiar. Este encontro é um espaço fundamental de construção coletiva, de fortalecimento das nossas bases e de diálogo direto com o governo para avançarmos em políticas públicas que gerem mais desenvolvimento, renda e dignidade para nossas comunidades”, afirmou Arildo.
Arildo destacou ainda o valor simbólico e político do reencontro com um MDA fortalecido, após anos de esvaziamento:
“Para nós é um marco histórico recuperar o Ministério de Desenvolvimento Agrário, retomar as políticas públicas dialogadas com todas as entidades que estiveram hoje na mesa de abertura. Tivemos aqui a presença do ministro Paulo Teixeira, de deputados como Vicentinho, Pedro Uczai e João Daniel, além de representantes dos bancos públicos. É extremamente importante ver mais de 400 participantes no primeiro dia, sinalizando o tamanho da mobilização e o peso do cooperativismo no país.”
O presidente da Unisol lembrou ainda dos desafios que seguem nos próximos dias de debates, como a ampliação do crédito, o fortalecimento da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) e a valorização da sucessão rural, pontos centrais para consolidar a agricultura familiar como protagonista no desenvolvimento nacional.
O que vem pela frente
A programação segue intensa nos próximos dias, com rodas de conversa e painéis que vão abordar temas centrais para o fortalecimento do setor. No dia 9 de setembro, as discussões se concentram em crédito e cooperativismo, com foco em estratégias de financiamento da produção de alimentos saudáveis, além de debates sobre florestas produtivas e cadeias da sociobiodiversidade, trazendo alternativas frente às mudanças climáticas, e sobre pecuária leiteira, destacando tecnologias e recuperação de pastagens.
Já no dia 10, a agenda contempla reflexões sobre compras públicas e combate à fome, os desafios do tarifaço para a agricultura familiar, e ainda mesas sobre cooperação e organização produtiva, com ênfase em gestão, acesso a políticas públicas e participação das mulheres, encerrando com discussões sobre Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), reunindo experiências e projeções.
No último dia, 11 de setembro, o foco será a inovação e disseminação de tecnologias, com destaque para bioinsumos, mecanização e energia solar.
Além dos debates técnicos, o encontro promove momentos culturais, como a Noite Cultural com Tia Zélia, celebrando a diversidade e a identidade popular que sustentam o cooperativismo.
A importância do Coopera Mais Brasil
Mais do que um encontro de quatro dias, o Coopera Mais Brasil é visto como um marco para a economia solidária e para a agricultura familiar. Reunindo cerca de 400 cooperativas de todos os estados do país e do Distrito Federal, o evento representa mais de 200 mil famílias agricultoras que produzem alimentos saudáveis e sustentáveis para milhões de brasileiros.
Cada atividade programada busca responder a desafios concretos, como acesso ao crédito, comercialização, inovação tecnológica, combate à fome e valorização da sociobiodiversidade. Ao mesmo tempo, é um espaço de partilha de experiências, no qual cooperados e cooperadas trocam aprendizados e fortalecem sua identidade coletiva.

