Entidade participa de painéis, seminários e debates sobre políticas públicas, comercialização e transição justa durante a maior feira de economia solidária da América Latina
A cidade de Santa Maria (RS), reconhecida como Capital Mundial da Economia Solidária e do Cooperativismo Autogestionário, foi novamente palco de um dos maiores encontros do setor: a 31ª Feira Internacional do Cooperativismo e da Economia Solidária (FEICOOP), realizada de 9 a 12 de outubro, com o tema “Construindo a Ecologia Integral frente às Mudanças Climáticas”.
O evento reuniu empreendimentos, cooperativas, movimentos sociais e entidades de todo o Brasil e da América Latina, reafirmando o compromisso coletivo com um modelo econômico baseado na autogestão, sustentabilidade e justiça social.
Representando a UNISOL Brasil, a diretora Nelsa Nespolo participou de uma série de atividades promovidas em parceria com a UNISOL RS, a Secretaria Nacional de Economia Popular e Solidária (SENAES/MTE) e organizações do campo e da cidade.
As ações, que incluíram oficinas, seminários e mesas temáticas, evidenciaram a força da economia solidária como instrumento de reconstrução social, especialmente após a pandemia e as recentes enchentes que afetaram o estado.
“Foi muito importante a nossa participação e, inclusive, a promoção, porque levamos empreendimentos filiados à economia solidária para Santa Maria, numa feira que, depois de tudo que passamos — pandemia e enchentes —, vem retomando seu curso. A Unisol está sempre presente”, afirmou Nelsa.
Programação intensa e pautas estruturantes
A programação começou na quinta-feira (9), com a recepção das caravanas e a reunião do Fórum Gaúcho de Economia Solidária, que abriu os debates sobre a necessidade de retomar políticas públicas de fomento e ampliar os espaços de comercialização solidária nos territórios.
Na sexta-feira (10), a UNISOL RS coordenou a Oficina do Setorial de Artesanato, com foco em coleções de produtos artesanais, identidade e montagem de estandes de exposição. A atividade, conduzida de forma prática, buscou aprimorar a apresentação e o valor agregado dos produtos dos empreendimentos solidários.
No mesmo dia, ocorreu o Seminário Setorial de Alimentação – Estratégias de Comercialização, reunindo representantes da Rede Coop/Rede de Consumidores RS, da Cadeia Produtiva Solidária das Frutas Nativas e do Armazém do Campo/MST, que compartilharam experiências sobre redes colaborativas e logística solidária.
O sábado (11) foi marcado pelo Seminário “Economia Solidária: Construindo a Política Pública para a Democracia Econômica”, organizado pela UNISOL, em parceria com a SENAES, o Banco Palmas, o Conselho Estadual de Economia Solidária e a deputada estadual Stela Farias (PT-RS). O debate reforçou pautas centrais do setor: a regulamentação da Lei Nacional de Economia Solidária, a ampliação das compras públicas, a lei das moedas sociais e a importância da participação política e eleitoral para a consolidação de um novo modelo de desenvolvimento.
No domingo (12), as atividades seguiram com temas voltados à produção agroecológica, editais de fomento, mudanças climáticas, turismo solidário e saberes tradicionais.
O dia também trouxe debates sobre transição energética popular, resiliência nos territórios, empoderamento das mulheres e povos indígenas, além do ato de encerramento da feira com a Leitura da Carta da 31ª FEICOOP e o lançamento da 32ª edição, prevista para 2026.
“Foi um espaço de reflexão e reafirmação dos nossos desafios: regulamentar a lei de economia solidária, ampliar as compras públicas, consolidar a lei das moedas sociais e olhar para o processo eleitoral com consciência de classe. Encerramos lembrando uma frase que marcou todas as falas: ‘o maior inimigo do pobre é outro pobre que defende o rico’, dita por Pepe Mujica e estampada nas camisetas da Unisol RS. Foi um momento de reencontro, aprendizado e esperança”, disse a diretora.




Um encontro pela vida, pela solidariedade e pelo planeta
Mais que uma feira, a FEICOOP se afirma como um movimento político e cultural, que reúne agricultores familiares, catadores, quilombolas, artesãos, indígenas, educadores e trabalhadores urbanos em torno de um mesmo propósito: construir uma economia que coloque a vida no centro.
Com foco na ecologia integral, o evento deste ano debateu práticas sustentáveis, tecnologias sociais e estratégias coletivas para enfrentar as mudanças climáticas e fortalecer a democracia econômica e ambiental.
FEICOOP: 31 anos de resistência e construção coletiva
Desde 1994, a FEICOOP se consolidou como o principal espaço de articulação, formação e visibilidade da Economia Solidária na América Latina. Reúne empreendimentos da agricultura familiar, cooperativas, catadores, povos indígenas, quilombolas, artesãos e trabalhadores urbanos e rurais, promovendo trocas solidárias e um modelo de economia baseado na cooperação, autogestão e sustentabilidade.
A cada edição, a feira reafirma o papel estratégico das redes solidárias na geração de renda, segurança alimentar e reconstrução de territórios, especialmente em momentos de crise climática e desigualdade social. “A presença da UNISOL Brasil reforça esse compromisso: fortalecer as bases locais, valorizar o trabalho coletivo e construir um futuro em que a economia esteja a serviço das pessoas e da democracia!”, finalizou Nelsa.

