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Centrais sindicais e de cooperativas da América Latina se posicionam contra reformas que retiram direitos dos trabalhadores e trabalhadoras

17553821_1282988975121975_4313107329659586073_nA América Latina se encontra frente a uma das conjunturas mais desfavoráveis desde a década de 1990 para os trabalhadores e trabalhadoras. Medidas adotadas pelos governos da maioria dos países latinos obedecem a um modelo econômico que visa gerar maior concentração de riqueza nos setores mais privilegiados e privar mais e mais direitos dos setores mais desfavorecidos da sociedade, definindo estratégias e um plano de ação para promover o fortalecimento do cooperativismo e do associativismo em nível local e regional.
Frente a esse cenário, representantes de centrais sindicais e de cooperativas do Brasil, Argentina e Uruguai, do Canadá e da Itália estiveram em São Paulo na última quinta-feira, 30/03, participando do II Encontro Internacional Sindicalismo e Cooperativismo na América Latina: O Desafio da Classe Trabalhadora.
Estiveram presentes representantes da CICOPA Américas, das centrais brasileiras UNISOL, CNM/CUT, OCB, UNICAFES e UNICOPAS, das argentinas CNCT, CGT – Federación, Sindicato de Obreros Curtidores, Federación Gráfica Bonaerense, CTA e FECOOTRA e das uruguaias FCPU , ANERT e PIT- CNT.
O evento, promovido pela CICOPA Américas, debateu os avanços, limites e desafios do sindicalismo e do cooperativismo e também a construção de estratégias para o fortalecimento. E contou também com a presença de integrantes da DSI/CSN canadense e da italiana Nexus/CGIL.
As centrais elaboraram uma declaração se posicionando fortemente contra as reformas que retiram direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. Os principais pontos do documento são o posicionamento contrário a qualquer tipo de ruptura, expulsão ou fragilização do Mercosul; um posicionamento claro contra as reformas que têm como base a retirada de direitos, que têm avançado em especial na Argentina e no Brasil; uma agenda integrada entre as centrais sindicais e as centrais de cooperativas.
“Um outro ponto é que precisamos nos entender como classe trabalhadora, como sujeito coletivo, e não abraçar as tentativas de nos colocar como empreendedores, individualizando sucessos e realizações. Essa foi uma importante resolução de encarar tanto cooperativistas como sindicalistas como parte da classe trabalhadora e como parte do esforço de organização coletiva de nossa classe”, define Leo Pinho, presidente da Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários, a UNISOL Brasil.
Durante o II Encontro, foi definido um plano de trabalho para as Centrais que inclui a necessidade de avanços legislativos, uma agenda permanente de lutas pelos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, a promoção das cooperativas nas compras públicas, gestão junto aos bancos centrais para a proteção das formas cooperativas de acesso a crédito e desenvolvimento de vantagens competitivas e estratégias de comunicação.
“Alguns desafios estão colocados para a classe trabalhadora. Estamos diante de uma disputa de modelo de desenvolvimento, de modelo de sociedade. E como sociedade organizada temos que ocupar espaços de debate e de deliberação, e muitas vezes não fazemos isso. Temos que ocupar esses espaços nos parlamentos em nossos países, nos espaços nacionais e internacionais. Temos espaços deliberativos com assentos para a classe trabalhadora, e muitas vezes quem está nesses lugares não nos representa, mas está lá definido o que é bom e o que é ruim pra gente. Portanto, são espaços que nós temos que ocupar. São debates que nós no dia a dia temos que fazer com os deputados, senadores, enfim. Quais são as pautas da Economia Solidária? Quais são as leis que vem ao nosso encontro e somam com a classe trabalhadora?”, indaga o diretor da CICOPA Américas, Arildo Mota.
Carlos Aulet, da PIT – CNT do Uruguai, lembra que seu país avançou bastante na política de inclusão em infraestrutura e do ponto de vista legislativo. Como exemplo, cita o setor da construção civil, que registrava altos índices de morte na construção, que diminuíram com uma lei penal para empresários que passaram a ser responsabilizados pela morte de trabalhadores em suas empresas. “Devemos ter políticas de estado e de governo em favor dos trabalhadores”, diz ele. “Mas uma das primeiras questões que temos que ter clara é que precisamos estar organizados. Estar organizados em sindicatos, em centrais de cooperativas, e que essas instituições se juntem como nesse evento para desenvolver políticas e ações para o futuro. Para melhorar e para substituir esse sistema explorador por um sistema alternativo”.
Nesse sentido, a elaboração e apresentação de propostas unificadas, que permitam sustentar e aumentar o nível de participação institucional e alcançados em diferentes espaços regionais como Mercosul, Unasul, OIT, RECM, CICOPA e ACI América, em sintonia com os avanços das centrais da América e suas organizações, é outro ponto central destacado no documento assinado pelos participantes do Encontro.
“Minha avaliação é que esses encaminhamentos mostram maturidade das centrais de cooperativas e das centrais sindicais na criação de uma agenda possível unificada e no compromisso de atuar nos organismos internacionais de forma conjunta, dando um grande sinal de que a resposta à atual crise acumulação de capital que tem se apresentado em nível mundial é a criação de uma nova agenda, de um novo modelo de desenvolvimento, a partir da unidade da classe trabalhadora”, aponta Leo Pinho.

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