Iniciativa nacional aposta na educação popular para ampliar protagonismo das mulheres e enfrentar desigualdades nos territórios

A Unisol Brasil realizou, no último dia 19 de março, a live de lançamento do seu novo Programa de Formação, uma iniciativa inédita voltada ao fortalecimento da economia popular e solidária por meio da formação política e da construção coletiva do conhecimento. A atividade marcou o início de um ciclo formativo que terá como eixo central o protagonismo das mulheres na organização social, econômica e política nos territórios.
Com o tema “Educadoras populares: construindo redes, lideranças e desenvolvimento”, o curso foi apresentado como uma estratégia para ampliar o acesso à formação crítica e fortalecer a atuação das mulheres que constroem, no dia a dia, a base do cooperativismo solidário no país.
A live contou com a participação da economista, dirigente da economia solidária e presidenta da UNISOL Bahia, Anne Sena, como palestrante, e teve a mediação de Márcia Dornelles, dirigente nacional da UNISOL Brasil. O encontro marcou o início de um processo formativo que pretende ampliar a organização das mulheres, fortalecer lideranças e construir redes de atuação nos territórios, especialmente entre trabalhadoras da economia solidária.
Durante a abertura, foi destacado que o programa nasce da necessidade de fortalecer a formação política das mulheres que constroem diariamente a economia popular e solidária, reconhecendo que a base do cooperativismo solidário no Brasil é majoritariamente feminina. A iniciativa busca oferecer instrumentos para que essas mulheres ampliem sua participação social, política e econômica, além de atuar no enfrentamento às desigualdades e violências.
Segundo Márcia, a formação será voltada principalmente para mulheres que atuam na base dos empreendimentos solidários, com o objetivo de formar educadoras populares capazes de multiplicar conhecimento, organizar coletivos e fortalecer redes de apoio nos territórios.
“A formação é um instrumento fundamental para que as mulheres reconheçam seus direitos, compreendam a realidade em que vivem e possam atuar na transformação social”, afirmou.
Processo formativo participativo
Durante a live, a direção da Unisol destacou que o programa nasce do compromisso histórico da entidade com a educação popular e com a valorização dos saberes dos territórios. A proposta é construir um processo formativo participativo, que reconheça a experiência das mulheres como elemento central na transformação social.
Anne Sena reforçou o papel da formação como instrumento de emancipação. Para ela, o acesso ao conhecimento é o primeiro passo para a autonomia:
“Conhecimento é libertador. Ele nos dá a possibilidade de dialogar com diferentes realidades e transformar o lugar onde vivemos.”
Formação para transformar realidades
O curso será estruturado em 14 módulos, com temas que vão desde direitos humanos, enfrentamento às violências, autonomia econômica e políticas públicas até debates sobre gênero, feminismo e organização coletiva. A proposta é formar educadoras populares capazes de multiplicar o conhecimento em suas comunidades, ampliando o alcance da iniciativa em todo o país.
A formação terá duração de quatro meses, com encontros semanais e atividades intermodulares, permitindo que as participantes reflitam e apliquem os conteúdos em seus territórios. A metodologia será híbrida e participativa, combinando momentos formativos com práticas de multiplicação junto às bases.
Além da qualificação política, o programa também busca fortalecer uma rede nacional de mulheres, capaz de atuar no enfrentamento às diversas formas de violência e na construção de alternativas econômicas solidárias.
Mulheres no centro da transformação
A iniciativa reconhece o papel central das mulheres na economia solidária, que representam a maioria da base dos empreendimentos no país. Nesse sentido, o programa também é uma aposta na ampliação da participação feminina nos espaços de decisão e incidência política.
“A gente precisa formar mulheres que conheçam seus direitos e que possam atuar como lideranças nos seus territórios. Não se trata apenas de formação, mas de construir uma rede capaz de transformar realidades”, destacou Anne.
Outro ponto enfatizado durante a live foi a importância da educação popular como ferramenta de escuta, troca e construção coletiva. Diferente de modelos tradicionais, a proposta valoriza os saberes locais e a experiência das participantes como parte essencial do processo formativo.
Inscrições e próximos passos
As inscrições para a primeira turma serão abertas no início de abril, com previsão de 60 vagas nesta etapa inicial. O público prioritário são mulheres ligadas à economia solidária, com potencial de atuação como multiplicadoras em suas comunidades.
A expectativa da Unisol Brasil é expandir o programa para novas turmas ao longo do ano, ampliando o alcance da formação e fortalecendo a rede nacional de educadoras populares.
O lançamento do programa integra um conjunto de ações da Unisol voltadas à formação política, reafirmando o compromisso da entidade com a construção de uma sociedade mais justa, solidária e igualitária.

