A Unisol Brasil recebeu, na última segunda-feira (12), a visita da liderança indígena Guarani Neusa Kunhã, do estado do Rio de Janeiro, em uma agenda institucional que incluiu também participação na TVT, emissora construída a partir da luta e da comunicação da classe trabalhadora, localizada na região central da capital paulista.
A visita integrou as ações do projeto Entrelaçando Culturas – Economia Popular e Solidária das Comunidades Indígenas, iniciativa inédita no país, construída pela Unisol Brasil em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que reconhece e fortalece práticas econômicas ancestrais dos povos indígenas como política pública.
Na Unisol Brasil, em São Bernardo do Campo, Neusa conheceu de perto a estrutura da entidade, dialogou com a equipe técnica e participou de reuniões sobre a construção da Rede de Economia Popular e Solidária Indígena.
O projeto tem como eixo central a construção de uma Rede de Economia Popular e Solidária Indígena, formada por indígenas e para indígenas, respeitando os modos de organização, os tempos e a cultura dos povos originários. A proposta parte do entendimento de que a economia solidária não é algo novo para os povos indígenas, mas uma prática viva há milhares de anos.
Para Edmilson Gonçalves, coordenador e articulador do projeto, a iniciativa representa um marco histórico:
“Os povos indígenas praticam economia solidária há milhares de anos. O que este projeto faz é reconhecer, fortalecer e institucionalizar algo que já existe nos territórios, respeitando o protagonismo indígena. É um projeto indígena para indígena, pensado para que as comunidades tenham autonomia e construam uma rede permanente, sem imposição externa. A Unisol entra como mediadora, mas quem conduz esse processo são os próprios povos indígenas.”
Edmilson destacou ainda que projeto como este “amplia a visibilidade e o reconhecimento institucional dessas práticas como política pública”.



Conhecer a Unisol e ocupar a comunicação popular
Neusa também ressaltou a importância simbólica e política da visita à Unisol Brasil e à TVT:
“Conhecer a Unisol é conhecer uma organização que respeita os trabalhadores e as trabalhadoras, que entende a economia como algo coletivo. Estar nesses espaços é afirmar que os povos indígenas também fazem parte da classe trabalhadora e da construção de um Brasil mais justo.”
Na TVT, emissora localizada na região central de São Paulo, Neusa participou de entrevistas e diálogos sobre o projeto e sobre a importância da comunicação popular como instrumento de fortalecimento dos direitos dos povos indígenas.
Território, economia e direitos caminham juntos
Durante a visita, também foi debatida a situação da demarcação de terras indígenas no estado do Rio de Janeiro. O território representado por Neusa encontra-se em fase avançada do processo de demarcação, aguardando os trâmites finais para sua efetivação.
Para a liderança indígena, não há economia possível sem território. Como explica Neusa Kunhã, para os povos indígenas, território é vida e o território faz parte do próprio corpo:
“Para o nosso povo, território é vida. O território faz parte do nosso corpo. O território é como se fosse nós mesmos. Corpo e território caminham juntos. Quando há violação do território, é como se estivesse violando o nosso próprio corpo. Sem território não existe cultura, não existe economia, não existe futuro. Esse projeto é importante porque fortalece a nossa autonomia e respeita o nosso jeito de viver e de produzir. Ele nasce do nosso povo e dialoga com as nossas necessidades reais.”

